[Review] RAZR Maxx: Rápido e melhorado

No inicio deste ano eu tive a oportunidade de testar o Motorola RAZR, um smartphone dual-core que me agradou, mas não conseguiu durante o período de avaliação se mostrar bom suficiente a ponto de desbancar alguns poderosos modelos da concorrência que haviam sido lançados bem antes dele.

Confesso que fiquei um pouco decepcionado com o aparelho, pois ele tinha bastante potencial, mas ainda possuía alguns problemas bem básicos, como uma lentidão bem chata no seu navegador, além de uma duração ruim de bateria. Há bastante tempo eu estive esperando a chegada de um smartphone da Motorola que pudesse retirar do trono o legendário Milestone, que foi o Android desta fabricante que mais agradou aos consumidores, porém o RAZR com certeza não seria capaz desta proeza.

Passados alguns meses a Moto nos fez uma surpresa bem agradável. A fabricante não só manteve as boas características do RAZR, como a sua super resistência, interface agradável e tela de qualidade, como também atualizou a versão do Android para a 4.0 e ainda adicionou uma bateria poderosa de 3300 mah, criando assim um novo smartphone com o nome de RAZR Maxx. Este novo modelo prometia ser mais rápido e ter uma duração bem superior. A qualidade do Maxx era tão boa que chegou a gerar excelentes primeiras impressões, a ponto dele ter sido coroado o melhor da CES 2012, que é um dos eventos de tecnologia mais importantes do mundo.

A Motorola mexeu aqui e ali. Deu um novo nome e manteve a mesma aparência, mas será que o RAZR Maxx é um aparelho bom suficiente para garantir o seu lugar no ranking dos melhores smartphones ou este será mais um gadget da Motorola que irá morrer na sombra do Milestone?

Finalmente estável

Uma das minhas maiores reclamações com o modelo anterior era que ele um pouco lento, dando ocasionalmente algumas travadas no seu sistema. Parece que a Motorola resolveu isso no Android 4.0.4 do RAZR Maxx. Agora, ainda utilizando o processador dual-core de 1.2GHz TI OMAP 4430 e os mesmos 1 GB de RAM, o sistema todo parece rodar de maneira bastante fluída, o que é o ideal para podermos experienciar um uso no dia a dia sem estresse. Mesmo assim a velocidade do sistema ainda não chegou a perfeição.

Ocasionalmente dá para perceber algumas travadinhas nas animações, mas infelizmente isso é algo inerente de quase todos os smartphones que utilizam o Android Ice Cream Sandwich junto a uma interface customizada – ou seja, modificada pela fabricante- .

Para quem não sabe, o Google disponibiliza o Android para as fabricantes e elas preparam o sistema para ser colocado em seus aparelhos, sendo assim, cada uma quer deixar a sua marca, fazendo pequenas modificações no SO – sistema operacional – a ponto de deixá-lo o mais diferente possível, assim se você comparar um aparelho da Samsung com um da Sony cada um deles irá ter uma aparência diferente. E a Motorola não é exceção.

Dessa vez a Motorola modificou bem pouco o sistema, o que é algo que iremos falar mais adiante, porém deu para perceber, comparando com o Android 4.0.4 puro em um Galaxy Nexus, que as modificações foram suficientes para diminuir a velocidade do sistema. Mas não se preocupe, pois a diminuição não foi tão grande assim, na verdade, se comparar um Motorola RAZR Maxx com o Android 4.0.4 com aparelhos como o Galaxy Note e o Galaxy S II com a mesma versão, o modelo da Motorola com certeza será o campeão em relação a estabilidade do seu sistema.

Já a navegação da Web está melhor do que nunca. No RAZR essa parte era bastante problemática, irritante até, mas no Maxx a situação é outra completamente diferente. Pode não ser a navegação mais rápida que eu já pude experimentar em um smartphone dual-core, pois não conseguiu rodar direito o site da ign.com, o qual eu sempre utilizo para testar smartphones, mas a grande maioria dos sites abriu sem problema algum.

E em relação a jogos o RAZR Maxx se saiu bem, o meu maior problema foi que as telas de carregamento são extremamente demoradas. Fui tentar abrir a primeira fase do jogo N.O.V.A 3 e fiquei esperando por 65 segundos. Isso é bastante desagradável. Claro que este game em particular é bem pesado, mas já experimentei outros dual-cores que abriram ele em quase metade deste tempo. E, obviamente, este não foi um caso isolado, já que outros títulos como Dead Trigger e até o Mini Motor tiveram uma demora maior que a normal durante os seus carregamentos.

O importante é que na hora de jogar o aparelho se saiu muito bem, o único jogo que deu algumas estancadas foi N.O.V.A 3, mas esse jogo roda mal em qualquer smartphone dual-core.

O Design é o mesmo

Não vou demorar muito falando do design, já que na minha review do RAZR eu já falei bastante disso. Vou apenas citar resumidamente os pontos negativos e positivos, além de algumas pequenas diferenças.

Primeiramente, as mudanças no Maxx foram em relação a espessura, que passou de 7.1 mm para 8.99 mm e o peso que foi de 127 gramas para 145 gramas. Isso ocorreu principalmente por causa da nova bateria de 3300 mah, que ocupa bem mais espaço.

Os pontos que, na minha opinião, continuam não agradando são: a posição da câmera frontal está muito centralizada; o microfone não deveria ficar na parte frontal e sim na parte inferior do corpo do aparelho, já que é muito perceptível e feio; as bordas ao redor da tela são muito largas, dificultando um pouco o uso da tela touch; e os botões do sistema – menu, home, voltar e busca -, que ficam na parte de baixo, estão muito afastados da tela, fazendo com que seja um pouco difícil alcançar eles durante o uso.

Já os pontos positivos incluem o corpo extremamente resistente do aparelho, que promete aguentar algumas quedas, além do fato de que o design deste modelo é diferente e dá uma identidade maior para ele, assim fica bem fácil identificar um Motorola RAZR Maxx, já que ele não tem cara de iPhone, assim por dizer. Claro que, se você conseguir rapidamente diferenciar um RAZR de um RAZR Maxx, parabéns, você possui olhos extremamente acurados.

E também não posso esquecer de falar da tela de 4.3″ polegadas, que é uma qHD Super AMOLED com resolução de 540 x 960 pixels, esta continua não sendo a melhor tela que eu já vi em um smartphone, pois ainda prefiro as utilizadas nos aparelhos da Samsung, mas mesmo assim ela possui uma qualidade bem superior ao que estamos acostumados a ver. Em geral ela é uma das melhores, a minha unica reclamação é que as cores ficam em tons muito escuros, tirando um pouco da vida das imagens. Já em relação a resolução, realmente não senti muita falta dela ser em HD, mas, principalmente em jogos, deu para perceber uma certeza pixealização ou pequenos ruídos nas bordas que davam um visual um pouco feio aos jogos.

A interface que todos pediram

Os consumidores gritaram e a Motorola ouviu. O RAZR Maxx é um dos primeiros smartphones da fabricante que utiliza uma interface extremamente parecida com a original do Android, na verdade a fabricante fez modificações muito pequenas. Mudou uma cor aqui, um fundo ali, adicionou os seus aplicativos e pronto, manteve o Android com cara de Android e ainda conseguiu melhorar ele.

Se você pegar um Galaxy Nexus, que utiliza a interface original do Android por ser um Google Phone, e um RAZR Maxx, colocando os aparelhos lado a lado, dá sim para perceber algumas mudanças na User Interface, mas elas são bem poucas. Na verdade eu prefiro muito mais a do aparelho da Motorola, já que ela tem alguns widgets novos e bonitos, além de incluir um excelente Music Player.

O que eu gostei bastante é que a Motorola fez com que o sistema ficasse mais fácil de mexer, principalmente porque ela expandiu e disponibilizou logo na parte inicial do menu de configuração algumas opções bastante utilizadas, como o Modo Avião e o Roteador Wifi, que antes ficavam escondidas.

O usuário comum irá gostar bastante dos aplicativos que já vem pré-instalados, como o Moto Print, que serve para poder imprimir arquivos direto do smartphone, MotoCast, que serve para poder acessar os seus arquivos de um computador pelo RAZR Maxx, e o Smart Actions, que serve para automatizar diversas funções do sistema. Dentre outros apps bem legais nós temos um gerenciador de arquivos, o app da galeria, um app para organização de tarefas e o novo aplicativo Pessoas, que é o novo gerenciador de contatos criado pelo Google, porém que as fabricantes geralmente resolvem excluir em suas versões do Android 4.0.

Duração da bateria

A duração da bateria é um dos maiores fortes do RAZR Maxx, pois o aparelho possui uma de 3300 mah em um mundo onde o padrão é de 1500 a 1700 mah. Isso faz com que este smartphone da Motorola seja o melhor neste quesito.

Utilizei o RAZR Maxx sem problema algum durante 3 dias, baixando pelo menos 2 GB em jogos, jogando ocasionalmente e navegando algumas vezes e foi somente no fim do terceiro dia que a bateria começou a pedir para ser carregada. Isso é fantástico.

Acredito que um usuário comum consiga utilizar o aparelho por 3 ou 4 dias sem problema algum e sem ter que carregar ele uma vez sequer. Me fale quantos smartphones conseguem fazer isso? Eu creio que nenhum!

Bom, infelizmente eu não pude testar a rede 3G e nem ligações nele, o que deve afetar o meu resultado. Creio que com o uso de um chip Micro SIM o aparelho teria durado apenas 2 dias na minha mão, o que continuaria sendo um resultado bom. O maior problema é que eu fui pedir um chip Micro SIM na Tim e eles fizeram a prática ilegal de tentar me forçar a adquirir um plano de voz para poder fazer isso. Malditos.

Câmera

A câmera do RAZR Maxx, que é de 8 megapixels, continua sendo ruim, pois ela é péssima para dar foco, então você terá que tirar várias vezes a mesma foto até ficar legal.

Considerações finais

O RAZR Maxx ainda não é o grande trunfo da Motorola na guerra dos smartphones, mas ela com certeza está indo no caminho certo. O aparelho é ótimo, com certeza ele é um dos melhores dual-cores, mas alguns pequenos problemas fazem com que ele não chegue a ser perfeito.

Dentre os smartphones que eu pude experimentar até agora, o RAZR Maxx está entre os que eu indico como uma boa compra, principalmente se você gostou do design dele ou procura por um aparelho que não vai te deixar na mão, descarregando a bateria quando você mais precisa.

A Motorola está no caminho certo, por isso eu torço bastante para que logo seja lançado uma nova versão com um hardware mais atualizado deste aparelho, só peço para que ela não tente mudar as características que fizeram do RAZR Maxx um excelente smartphone.

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Sobre - Fundador do Vida Móvel Blog, usuário de Android, mais especificamente de um Galaxy Nexus, estudante de direito e ninja nas horas vagas.

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Displaying 9 Comments
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  1. Adller disse:

    Ótimo review. Parabéns.

  2. Joefox disse:

    Gostei..
    Estou vendendo meu atrix, acho que vou de razr maax

  3. .André. disse:

    ÓTIMO review Artur… Estava ansioso para essa essa resenha, pq tenho um Razr… Na review da versão "normal" as criticas que vc fez quase me fez ficar longe do aparelho (concordo em 40% delas)… Iria pegar um Xperia S. Sei que ele é melhor que o Razr, mas por causa de R$150 não levei o Sony. Mas com o Razr eu me apaixonei…. é o melhor e mais bonito aparelho que já tive. Ao lado do seu "pai" o lindo V3 black (que depois virou silver). Toda vez que uso o aparelho e olho para meu anterior o Milestone 3, me da uma vontade de jogar aquele tijolo fora… O Razr é totalmente o oposto. Fino, LEVÍSSIMO e o melhor NÃO ESQUENTA. Lembro que no seu artigo, vc também elogiou o mesmo por essa virtude chamando até de frio. Com o ICS TUDO melhorou. O "pinch zoom" é o melhor entre os meus 3 Androids (Defy, Milestone 3 e Razr), e com o MONSTRO do Chrome ai que fica uma maravilha… A qualidade da câmera é ruim mesmo, mas sendo DISPARADAMENTE melhor que a do M3, e tem até um recurso que só vi no HTC One X e Galaxy SIII. É possível tirar fotos enquanto grava. Estou só esperando ver todos os detalhes do Razr HD, Voltei a ser fan dessa linha. PARABÉNS Artur… Que continue escrevendo mais matérias deste seu jeito. O lado que todo mundo tem… O consumidor….

    • Artur Calandrini disse:

      André, é como eu havia previsto na review do RAZR, a maioria dos problemas do aparelho eram em relação a software, mas não tinha como eu avaliar ele de maneira mais positivas levando em consideração isso, pois atualizações podem vir ou não entende?

      Ainda bem que o ICS veio e melhorou bastante o aparelho, junto com a bateria do RAZR Maxx isso se torna uma combinação de qualidade.

      Que bom que gostou da review, vamos estar postando outras ainda esta semana, mais tardar na próxima.

  4. Everton Silva disse:

    Artur em comparação ao Htx One X como o Razr Maxx se sai de modo geral e dentro dos seus limites de hardware?

    • Artur Calandrini disse:

      Bom, eu realmente n experimentei o HTC One X, mas pelo o que eu sei ele é bem melhor que o RAZR Maxx. Realmente não tenho como comprar direito os dois aparelhos pra você.

  5. [...] para que estes modelos cheguem no Brasil, pois eu pude experimentar o RAZR Maxx original e as minhas impressões sobre o aparelho foram ótimas, sendo ele um dos três melhores [...]

  6. Oséias Alves disse:

    Eu tenho o Milestone 3 e modestamente falando ele ainda faz frente a muito Smartphone por aí. Óbvio, que o Milestone 3 como todo Smartphone depois de lançado logo se torna absoleto com o surgimento de novas tecnologias e em se tratando de Android, isso acontece muito rápido. O grande avanço do Razr Maxx na minha opinião é a bateria e as melhoras na interface trazidas pelo Andoid 4.0.4. Razão pela qual em breve, farei a troca do meu Milestone 3 pelo Razr Maxx e quem sabe até a versão HD. Adorei o review cheio de detalhes… completo!!

  7. Michel Duarte Santos disse:

    Otimo post.

    Tenho 1 e não me arrependo. Tive problemas no começo com o SmartAction, eu utilizava muito este app, mas pelo fato do celular simplesmente desligar e conforme contato feito com a Motorola, os mesmos indicaram para que este app fosse desinstalado do aparelho e o problema resolvido. Mas tirando isso o aparelho é show.
    Minha bateria nao dura tudo isso, pois utilizo o 3G full time, carrego na madruga e ele descarrega na noite do dia seguinte…ou seja, 1 dia e meio.Otimo post.

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